Este Inferno de
Amar Almeida
Garret
Este inferno de
amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que
alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é que se
veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me
lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… —
foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele
sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Só me lembra que um dia
formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos
giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver
comecei…
Amar Almeida
Garret
Este inferno de
amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que
alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é que se
veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me
lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… —
foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele
sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Só me lembra que um dia
formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos
giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver
comecei…
Amor e seu
TempoCarlos Drummond
Andrade
Amor é
privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a
mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É
isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e
coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais
existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro
no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende
no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor
começa tarde.
TempoCarlos Drummond
Andrade
Amor é
privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a
mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É
isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e
coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais
existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro
no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende
no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor
começa tarde.
Rifa-se um
coraçãoClarisse
Lispector
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração
idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um
coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito
machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco
inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e
precipitado coração que acha que
Tim Maia estava certo quando
escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu
espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que
não endurece, e mantém sempre viva
a esperança de ser feliz, sendo simples e
natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o
suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive
procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se
um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração
que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo
em nome de causas e
paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de
palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes
provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este
desequilibrado emocional que abre
sorrisos tão largos que quase dá pra
engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o
rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de
emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver
intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida
matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se
um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu
usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário
dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode
conferir.
Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só
fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que
insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um
pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito
que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão
inconseqüente.
Rifa-se um
coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro
caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se
recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o
estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples
coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio
ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do
mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por
outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração
que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de
se aventurar como poeta.
coraçãoClarisse
Lispector
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração
idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um
coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito
machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco
inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e
precipitado coração que acha que
Tim Maia estava certo quando
escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu
espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que
não endurece, e mantém sempre viva
a esperança de ser feliz, sendo simples e
natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o
suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive
procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se
um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração
que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo
em nome de causas e
paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de
palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes
provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este
desequilibrado emocional que abre
sorrisos tão largos que quase dá pra
engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o
rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de
emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver
intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida
matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se
um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu
usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário
dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode
conferir.
Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só
fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que
insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um
pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito
que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão
inconseqüente.
Rifa-se um
coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro
caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se
recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o
estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples
coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio
ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do
mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por
outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração
que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de
se aventurar como poeta.
EU SEI QUE VOU
TE AMARTom Jobim e Vinícius
de Moraes
Eu sei que vou te amar,
por toda a minha vida eu vou te
amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será pra te
dizer
Que eu sei que vou te amar
por toda a minha
vida.
TE AMARTom Jobim e Vinícius
de Moraes
Eu sei que vou te amar,
por toda a minha vida eu vou te
amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será pra te
dizer
Que eu sei que vou te amar
por toda a minha
vida.
Eu sei que vou
chorar
A cada ausência tua eu vou chorar.
Mas cada volta tua há de
apagar
O que essa tua ausência me causar.
chorar
A cada ausência tua eu vou chorar.
Mas cada volta tua há de
apagar
O que essa tua ausência me causar.
Eu sei que vou
sofrer
a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
por
toda a minha vida.
sofrer
a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
por
toda a minha vida.
O Homem e
MulherVictor Hugo
O Homem é a mais elevada das criaturas.
A Mulher é o
mais sublime dos ideais.
Deus fez para o Homem um trono;
Para a Mulher, um
altar.
O trono exalta, o altar santifica.
O Homem é o cérebro,
a
Mulher, o coração, o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.
O Homem
é o gênio,
a Mulher, o anjo.
O gênio é imensurável,
o anjo,
indefinível.
A aspiração do Homem é
a suprema glória;
A
aspiração da Mulher,
a virtude extrema.
A glória traduz
grandeza;
a virtude traduz divindade.
O Homem tem a
supremacia;
a mulher, a preferência.
A supremacia representa força.
A
preferência representa o direito.
O Homem é forte pela razão;
a Mulher
invencível pelas lágrimas.
A razão convence;
a lágrima
comove.
O Homem é capaz de todos os heroísmos;
A Mulher de todos os
martírios;
O heroísmo enobrece;
o martírio, sublima.
O Homem é o
código;
a Mulher, o evangelho.
O código corrige;
o evangelho
aperfeiçoa.
O Homem é o templo;
a Mulher, um sacrário.
Ante o templo,
nos descobrimos.
Ante o sacrário, ajoelhamo-nos;
O Homem pensa;
a
Mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;
Sonhar é ter na fronte uma
auréola.
O Homem é um oceano,
a Mulher, um lago.
O oceano tem a pérola
que embeleza;
O lago tem a poesia que deslumbra.
O Homem é a
águia que voa;
a Mulher, o rouxinol que canta.
Voar é dominar o
espaço;
cantar é conquistar a alma.
O Homem tem um fanal: a
consciência;
A Mulher tem uma estrela: a esperança.
O fanal guia, a
esperança, salva.
Enfim...
O Homem está colocado onde termina a
terra;
A Mulher onde começa o céu...
MulherVictor Hugo
O Homem é a mais elevada das criaturas.
A Mulher é o
mais sublime dos ideais.
Deus fez para o Homem um trono;
Para a Mulher, um
altar.
O trono exalta, o altar santifica.
O Homem é o cérebro,
a
Mulher, o coração, o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.
O Homem
é o gênio,
a Mulher, o anjo.
O gênio é imensurável,
o anjo,
indefinível.
A aspiração do Homem é
a suprema glória;
A
aspiração da Mulher,
a virtude extrema.
A glória traduz
grandeza;
a virtude traduz divindade.
O Homem tem a
supremacia;
a mulher, a preferência.
A supremacia representa força.
A
preferência representa o direito.
O Homem é forte pela razão;
a Mulher
invencível pelas lágrimas.
A razão convence;
a lágrima
comove.
O Homem é capaz de todos os heroísmos;
A Mulher de todos os
martírios;
O heroísmo enobrece;
o martírio, sublima.
O Homem é o
código;
a Mulher, o evangelho.
O código corrige;
o evangelho
aperfeiçoa.
O Homem é o templo;
a Mulher, um sacrário.
Ante o templo,
nos descobrimos.
Ante o sacrário, ajoelhamo-nos;
O Homem pensa;
a
Mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;
Sonhar é ter na fronte uma
auréola.
O Homem é um oceano,
a Mulher, um lago.
O oceano tem a pérola
que embeleza;
O lago tem a poesia que deslumbra.
O Homem é a
águia que voa;
a Mulher, o rouxinol que canta.
Voar é dominar o
espaço;
cantar é conquistar a alma.
O Homem tem um fanal: a
consciência;
A Mulher tem uma estrela: a esperança.
O fanal guia, a
esperança, salva.
Enfim...
O Homem está colocado onde termina a
terra;
A Mulher onde começa o céu...
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