
“Os sonhos trazem saúde para a emoção,
equipam o frágil para ser
autor da sua história,
renovam as forças do ansioso,
animam os deprimidos,
transformam os inseguros
em seres humanos de raro valor.”
Segundo um poema de Fernando Pessoa
Todos os dias descubro
A espantosa realidade das coisas:
Cada coisa é o que é.
Que difícil é dizer isto e dizer
Quanto me alegra e como me basta
Para ser completo existir é suficiente.
Tenho escrito muitos poemas.
Claro, hei de escrever outros mais.
Cada poema meu diz o mesmo,
Cada poema meu é diferente,
Cada coisa é uma maneira distinta de dizer o mesmo.
Às vezes olho uma pedra.
Não penso que ela sente
Não me empenho em chamá-la irmã.
Gosto porque não sente,
Gosto porque não tem parentesco comigo.
Outras vezes ouço passar o vento:
Vale a pena haver nascido
Só por ouvir passar o vento.
Não sei que pensarão os outros ao lerem isto
Creio que há de ser bom porque penso sem esforço;
penso sem pensar que outros me ouvem pensar,
penso sem pensamento,
digo como o dizem minhas palavras.
Uma vez me chamaram poeta materialista.
E eu me surpreendi: nunca havia pensado
Que pudessem me dar este ou aquele nome.
Nem sequer sou poeta: vejo.
Se vale o que escrevo, não é valor meu.
O valor está aí, em meus versos.
Tudo isto é absolutamente independente de minha vontade.
Onde se encontra a pedra filosofal
do amor da alquimia e da utopia?
O que é, de fato, amar?
Há diferença entre amar e gostar?
O amor verdadeiro deve ser
forte e uníssono,
como os elos de uma corrente
O amor verdadeiro deve ser
a semente que brota no veio de rocha
ou em qualquer solo
O amor verdadeiro deve estar
na mente, no coração, na retina, na boca
nas mãos, nos genitais, deve ser um todo:
"É maravilhoso ouvir de alguém aquele sussurro
mágico: eu te amo, vindo de dentro da alma
dito com o corpo e o espírito."
Todavia, gera um grande vazio quando este "amor"
não se ouve, não se lê nos lábios, nem se se sente no corpo...
Se o amor for tão somente manifestado como:
"gosto", "admiro", "amizade", "bacana", "legal"
pode representar apenas uma conveniência,
isto não é amor no sentido da paixão, da entrega,
do desejo e, portanto, deve ser cortado pela raiz



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